sábado, 4 de junho de 2011

Sensações

O amor em suas variadas formas atrai de um jeito louco, pelo menos a mim. Um segundo de paixão que estoura os ouvidos, não se ouve mais nada, não se quer mais nada. Momento amigo, champanhe e música boa. Solidão, filme e pipoca. Irmão, papel e caneta. O coração infla, muda o formato, ganha cor e uma dor tão voraz que chega a ser gostosa. Já me apaixonei por olhos profundos e brilhantes, castanhos mesmo, normais em cor e diferente no modo como vai da esquerda para a direita. Já me apaixonei por teorias, dessas que você sente como se estivesse saindo de dentro, compatíveis demais com suas crenças e convicções. Enlouqueci, certa vez, por um abraço. Era cem por cento, encaixava de maneira ímpar, não ímpar um três cinco, ímpar com nada igual, singular mesmo. Não dá pra guardar um olhar, um abraço, um momento. Por isso é tão estranho, dá vontade de gritar. Não um grito desesperado, talvez uma canção. Aquela coisa que brota na garganta e que é quase necessário colocar pra fora pra se respirar direito, algo como um sentimento bom. Uma loucura, um ápice de felicidade, tão efêmero quanto um piscar de olhos. Eu quero tocar. Eu quero o toque da minha alegria. No meio do bar, dançando com a mente perdida, de olhos fechados. Quero pegar esse momento e jogar dentro da minha bolsa Prada. E quando eu chegar a casa, pego, apalpo, abraço. Beijo meu momento de distração, discreta simpatia, sorriso entre os dentes. Supimpa. Chuva, duas amigas e roupas molhadas. Noite escura, grama bem verdinha (lembrança de quando era dia) e felicidade emplacada. Corríamos sós em meio a quinhentos metros quadrado. Mas eram tantos, tão grandes, que pareciam hectares. Corríamos soltas, livres, estrelas, a água, caímos, rolamos, nós, tripé, alicerces. Amizade do berço, antiga, nova a cada dia. E por que não posso colocar na gaveta e tirar de lá sempre que for ler meu livro, antes de dormir? O amor de amante, tocante, quieto, aconchegante. Os olhos se olham, os pensamentos se cruzam, as mãos de tocam. Vez ou outra, vozes se encontram, conversam, se beijam, sintonia implacável, incomparável. Não há mais nada além disso. E isso é tudo o que interessa quando se tem alguém ao lado. E olha que injustiça! Em duas horas, vai embora o momento, que se perde quando a porta se fecha e você fica sozinha. Cadê a explosão de sensações que eu não sei nem nomear e digo, então, que deve ser amor? Porque dizem que amor é forte, que é tão forte que não se doma nem se segura. Por isso eu chamo a felicidade em momentos inusitados de amor. E nem precisa, só eu entendo. É o que eu intitulo amor, o aperto nos músculos, a vontade de esquecer de todos os problemas. Mas cadê tudo isso agora, quando estou em frente ao computador, tudo escuro ao meu redor, todos dormindo? Cadê? Eu quero guardar tudo comigo. Eu quero tudo de todos os que me fazem levitar. Qual o gosto de um sorriso? Qual o som de um abraço? Qual a textura de uma voz? Qual o cheiro de um beijo? Quero todos os sentidos de tudo o que me faz sentir.